Conheci a Rosa quando ela tinha 18 anos.
Eu tinha 22. Foi o sorriso, sabe? Nunca mais esqueci.
Primeiro amor da minha vida. E o único. 52 anos juntos.
O sonho dela era ser mãe. Mas ela perdeu nosso bebê com sete meses de barriga. E depois disso... não deu mais.
Ela chorou meses. E eu prometi pra ela:
"Rosa, eu cuido de você. Pra sempre."
E eu cumpri, viu? Por 52 anos… eu cumpri.
Até o coração dela começar a falhar.
O médico falou um nome difícil: estenose aórtica. É a válvula do coração, que tá fechando.
Tem que operar. O SUS faz. Mas a fila é de 14 meses.
Aí o cardiologista olhou no meu olho e falou: "Seu Chico, o coração dela não aguenta três meses."
"Eu tenho uma fila de 14 meses... e uma esposa que tem três."
A Rosa só tem eu. E eu só tenho ela.
Foram 52 noites naquela cadeira de hospital.
Eu não sei pedir. Nunca soube. Mas escrever... escrever eu sei. Então eu escrevi.
Do lado da cama dela, noite após noite. Cada carta que eu nunca mandei. Cada coisa que eu nunca esqueci. 52 anos... em algumas páginas.
O livro chama "A Rosa que Eu Escolhi Amar". Porque eu acredito que o nosso amor não foi um destino. Foi uma escolha.
"E eu vou sempre escolher estar aqui, ao lado dela."
A cirurgia custa R$ 83 mil.
Um valor que eu nunca vou conseguir pagar sozinho. Mas eu tenho esse livro. E esse é o único jeito de eu salvar quem eu amo.
Cada livro que sai é um passo mais perto de eu cumprir o que prometi pra ela.
"Eu não tô pedindo esmola. Eu tô oferecendo a coisa mais valiosa que eu tenho: a história de amor da minha vida."